Brasília, Brazil
December 10, 2003
Agência Brasil - ABr
Wearing black lab jackets with "In
Mourning for Science" written on them, a group of scientists and
researchers demonstrated at the Chamber of Deputies because of a
delay in the vote on the biosecurity law. The demonstrators also
distributed a pamphlet entitled "Lies and Truth about
Genetically Modified Food."
The protest was a result of the decision by lawmakers to
postpone a vote on a new biosecurity law which, in effect, means
it will be voted on only at an indeterminate time next year (it
was supposed to go to a vote on the 15th).
According to Leila Oda, the president of the National
Association of Biosecurity, the delay in the vote means the
sector goes into a kind of limbo. "We are on the cutting edge of
biotechnology. Brazil is playing an important role in the Genome
Project. We have numerous patents but there is a lack of
perspectives which makes it impossible to do research. That is
causing an evasion of scientists," she said. Oda added that the
issue was being politicized. "This is a scientific matter that
should be decided by scientists," she declared. (AB)
Cientistas distribuem cartilha esclarecendo dúvidas sobre
transgênicos
Adriano Gaieski
Repórter da Agência Brasil
Representantes de vários segmentos científicos, liderados pela
Associação Nacional de Biossegurança, passaram o dia de hoje no
Congresso Nacional. Vestidos com avental preto, eles distribuíam
uma cartilha com o título "Escolho com Consciência. Verdades e
Mentiras Sobre os Transgênicos".
Nos últimos dois dias, o grupo vem protestando contra a decisão
do governo de retirar o pedido de Urgência para a votação do
Projeto de Lei sobre Biossegurança. Com isso, a análise da
proposta, que é de autoria do próprio governo, foi adiada para
começar em 15 de fevereiro, quando será lido o relatório
elaborado pelo deputado Aldo Rebelo (PC do B-SP).
A microbiologista Leila Oda, que além de presidente da
Associação Nacional de Biossegurança, é pesquisadora da Fundação
Oswaldo Cruz, no Rio, diz que a manifestação é em favor da
modificações no projeto de lei. “As pesquisas no Brasil, hoje,
estão totalmente paralisadas e os cientistas estão de malas
prontas para ir para o exterior porque aqui ficaram
impossibilitados de realizar seu trabalho".
Segundo a pesquisadora, os manifestante lutam para que a decisão
sobre os transgênicos, seja fundamentada em bases científicas,
"não em mentiras, como tem sido veiculado", disse. "O cientista
tem de ser consultado, para decidir sobre a matéria”, completou.
Leila reclama que a burocracia brasileira entrava o
desenvolvimento das pesquisas. Conforme ela, são vários os
impedimentos, como as Instruções Normativas do Ibama e do
Ministério da Saúde. “A legislação de biossegurança foi
desvirtuada e hoje nós temos uma série de exigências impossíveis
de serem cumpridas do ponto de vista científico”, afirmou.
Conforme a pesquisadora, no ano 2000 o Brasil tinha mais de 200
pesquisas de campo em curso. Atualmente, são realizadas menos de
dez experiências por causa da burocracia.
O deputado Fernando Gabeira, (sem partido-RJ), conversou com o
grupo no corredor das Comissões da Câmara dos Deputados. Ele se
comprometeu a propor um grande debate sobre o assunto.
Já o deputado Mendes Thame (PSDB-SP), que também conversou com o
grupo, disse ter absoluta certeza da necessidade de diferenciar
a questão da produção de alimentos geneticamente modificados, da
pesquisa. “No segundo caso, não há a menor dúvida de que nós
devemos estimular o trabalho, facilitar licenciamentos, a
instalação de experimentos, porque ela vai nos propiciar ganhos
de qualidade, vantagens comparativas e superar dificuldades hoje
na produção ou identificação de alguns alimentos ou até na área
da saúde, com fitoterápicos”, explicou.
Os manifestantes distribuíram no Congresso cópias da cartilha
esclarecendo o que chamam de "mentiras e verdades sobre os
transgênicos".
Eis os principais trechos da cartilha
Escolha com Conciência
Mentiras: Apenas as plantas podem ser transgênicas
Verdade: Apesar do termo "transgênicos" ter se transformado num
sinônimo de plantas modificadas geneticamente através da
introdução de um segmento do DNA de outra espécie, é importante
saber que essa mesma técnica já é largamente utilizada desde a
década de 80 na produção de medicamentos como a insulina,
hormônio de crescimento e outros. Médicos dos mais importantes
centros de pesquisa do mundo utilizam esta mesma técnica na
pesquisa de novos medicamentos e tratamentos para doenças como
câncer, AIDS e outros.
Mentira: O homem não precisa plantar transgênicos
Verdade: O homem sempre interferiu na agricultura ao selecionar
as melhores espécies e cruzá-las entre si para obter lavouras de
melhor qualidade ou mais produtivas. As modificações genéticas
em plantas já ocorrem há milhares de anos e nos últimos 50 anos
variedades de plantas obtidas através da irridiação fazem parte
do nosso cardápio diário. Cerca de 80% do trigo que consumimos é
obtidos por mutação química ou radioativa. A tecnologia da
transferência de DNA aprimorou e tornou o melhoramento genético
mais seguro. As plantas transgênicas que já estão aprovadas para
fins comerciais vêm facilitando a vida do agricultor em diversas
regiões do mundo, inclusive na Europa. Elas requerem uma menor
quantidade de herbicidas e/ou inseticidas do que as
convencionais, propiciando uma redução no custo de produção e
benefícios claros para o meio ambiente.
Mentira: As plantas transgênicas não trarão benefícios a
sociedade
Verdade: As primeiras plantas transgênicas que foram aprovadas
beneficiam diretamente os agricultores devido a maior
praticidade dessas culturas para o homem do campo quando
comparadas ás culturas convencionais. Os benefícios ao meio
ambiente e a sociedade em geral são percebidos de forma indireta
devido a redução na quantidade de agroquímicos aplicados, menor
erosão do solo e reduçã nos custos de produção. Plantas com
melhor qualidade nutricional, como por exemplo o "arroz dourado"
rico em vitaminas A e ferro que já se encontra no seu estágio
final de pesquisa, trarão benefícios diretos aos consumidores.
Mentira: Não há pesquisas ambientais com plantas transgênicas no
Brasil
Verdade: Pesquisas de campo com a soja tolerante ao glifosato e
outras plantas transgênicas vêm sendo conduzidas no País há
vários anos sob aprovação e acompanhamento de pesquisadores e
órgãos competentes do governo brasileiro.
A segurança da soja tolerante ao herbicida já foi atestada pelos
pesquisadores brasileiros, que culminou no parecer favorável da
CTNBio para sua aprovação, em 1998.
Mentira: As plantas transgênicas precisam de mais agrotóxicos
Verdade: As plantas transgênicas tolerantes a herbicidas e as
resistentes a insetos já são cultivadas em vários países do
mundo e têm contribuído para reduzir significativamente a
quantidade de uso de agrotóxicos, tanto para controlar as ervas
daninhas quanto os insetos-praga que prejudicam a qualidade e o
rendimento das culturas.
Mentira: Haverá o surgimento de super pragas
Verdade: Antes de ser autorizado o plantio de variedades
transgênicas, os pesquisadores e órgãos de regulamentação
conduzem vários testes para conhecer melhor as culturas e sua
interação com o meio ambiente. Dessa forma, é possível criar
mecanismos que evitem problemas como resistência a pragas ou ao
agrotóxico e, principalmente, a contaminação de campos não
transgênicos.
Mentira: As empresas não fazem estudos de impacto ambiental
Verdade: O mecanismo utilizado pelas entidades de pesquisa e
órgãos governamentais dos mais diversos países do mundo é a
Avaliação de Risco Ambiental. No Brasil, os mesmos procedimentos
estão sendo avaliados para serem implementados pelo IBAMA para
aquelas atividades potencialmente causadoras de dano ao meio
ambiente.
Mentira: O glifosato é tóxico
Verdade: A soja tolerante ao herbicida glifosato possibilita a
redução do uso de outros herbicidas mais tóxicos, o que é
extremamente favorável para o homem do campo e para o meio
ambiente, pois o glifosato, além de ser de baixa toxicidade, se
degrada rapidamente no solo.
Mentira: Haverá dependência das multinacionais
Verdade: Além dos herbicidas á base de glifosato estarem
registrados por mais de 18 empresas no Brasil, as sementes
transgênicas também serão comercializadas por diversas empresas
públicas e privadas. A Embrapa detém ao redor de 40% do mercado
de sementes de soja e será uma das mais importantes emrpresas a
comercializar a semente de soja resistente ao glifosato.
Mentira: A adoção das plantas transgênicas irá beneficiar apenas
os latifundiários
Verdade: Os pequenos agricultores de países como Ìndia, Àfrica
do Sul, China, Filipinas e México, que já adotaram o plantio de
culturas como algodão, milho e soja, têm se beneficiado de
várias formas. A menor quantidade de agroquímicos requerido por
essas culturas proporcionam facilidade de manejo, uma economia
no custo de produção além de melhorias na qualidade do meio
ambiente e na vida dos agricultores.
Mentira: As sementes transgênicas são estéreis e perdem a força
com o tempo
Verdade: Há muitos boatos a respeito de uma possível
esterilidade das sementes trasngênicas. As pesquisas sobre esta
tecnologia foram abandonadas e não há sementes transgências
estéreis no mercado. A prova disso é que os agricultores têm
multiplicando suas sementes sem que as mesmas percam suas
caractéristicas.
Mentira: Não há estudos que comprovem a segurança alimentar
Verdade: Os derivados dos microorganismos e das plantas
transgênicas são detalhadamente testados quanto a sua segurança
alimentar e para cada produto os resultados são avaliados pela
comunidade científica e pelos órgãos governamentais competentes.
A Organização Mundial de Saúde e as Academias de Ciência de
vários países já se posicionaram sobre a matéria. Os produtos
aprovados já são consumidos por vários milhões de pessoas sem
nenhum relato de problema de saúde provocado pela ingestão de
alimentos transgênicos.
Mentira: Os transgênicos provocam alergia alimentar
Verdade: Os alimentos transgênicos são amplamente testados
quanto ao seu potencial alergênico e só são aprovados para
consumo humano e animal quando forem comprovados que são tão
seguros quanto os alimentos os alimentos equivalentes já
existentes. Os alimentos transgênicos são tão ou mais seguros
que os convencionais. Alguns alimentos novos, como por exemplo o
Kiwi, que podem ser alergenicos, se tivessem sido avaliados da
mesma forma que os produtos transgênicos, certamente não seriam
autorizados para consumo.
Mentira: Os alimentos transgênicos não são consumidos na Europa
Verdade: A União Européia aprovou o consumo de várias plantaas
transgênicos e vem importando derivados da soja, milho e canola
desde 1998. Os agricultores espanhóis que plantam milho
transgênicos resistente ao ataque de insetos-praga têm reportado
seus benefícios, destacando a menor utilização de insenticidas
nas plantações e a melhoria da qualidade dos grãos.
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